Resort Liberal terá nudismo com máscaras e distanciamento na reabertura

 

Resort liberal na Jamaica também sofreu os efeitos da pandemia do coronavírus e reabre com mudanças

Com nudismo permitido e frequentado por praticantes de swing, o resort caribenho Hedonism II anunciou que irá retomar as atividades neste dia 1º de julho, após meses fechado por causa da pandemia de coronavírus.

Localizado no balneário de Negril, no litoral da Jamaica, o estabelecimento recebe viajantes liberais do mundo inteiro e também teve sua rotina modificada com a covid-19.

Para a reabertura, o local deve adotar uma série de procedimentos sanitários para proteger a saúde de seu público, segundo Victor Manjarres representante comercial do resort na América Latina.

Nudismo mascarado e nada de “brincadeiras”

Hedonism II, na Jamaica

A partir de agora, por exemplo, os hóspedes terão que usar máscara dentro do estabelecimento (incluindo em espaços nos quais nudismo é permitido).

Um dos cantinhos mais famosos do local, o “playroom” (palavra que pode ser traduzida como “quarto de brincadeiras”), permanecerá interditado temporariamente após a reabertura, como medida para evitar aglomerações.

Com paredes roxas, chuveiro, sofá e espécies de futons espalhados no chão, trata-se de um espaço fechado que, antes da pandemia, juntava dezenas de hóspedes para sessões de trocas de casais e outras práticas sexuais.

Distanciamento obrigatório.
Segundo a administração do resort, ainda que pareça estranho exigir distanciamento social dos hóspedes, haverá um limite no número de pessoas que podem se juntar em algumas instalações do resort, como as hidromassagens. Além disso, na praia [que fica na frente do estabelecimento], as espreguiçadeiras estarão mais afastadas umas das outras.

Ainda assim, o Hedonism II possui uma área enorme e capacidade para apenas 560 hóspedes. Ou seja, espaço de sobra para respeitar a nova realidade — e nada impede as festinhas particulares nos quartos, por enquanto.

“Festeje com Segurança”
Além das medidas esperadas ao resort com atrações tão específicas, o Hedonism II também adotou medidas comuns aos hotéis do mundo todo – com a diferença de que aqui o conceito chamado “Party Safely” (“Festeje com Segurança”), não “Clean & Safe” como se tem visto por aí.

Entre elas, está o controle de temperatura dos hóspedes, a suspensão do serviço de self-service nos restaurantes, higienização constante de superfícies dos quartos e das áreas comuns e desinfecção rigorosa das bagagens no check-in.

Além disso, haverá estações de loções desinfetantes espalhadas pela propriedade e a presença de médicos e enfermeiros treinados para detecção e atendimento de casos suspeitos de covid-19.

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As apostas do The New York Times para o futuro do turismo

As empresas da indústria de turismo já estão se adaptando para as viagens pós-pandemia (Klaus Vedfelt/Getty Images)

A vida de quem costumava viajar, uma vez ao ano que fosse, virou uma incógnita. O que o muita gente tem feito para compensar a frustração é visitar acervos de museus na internet; assistir lives (apesar que a curva da live já mostra algum achatamento); cozinhar, (com níveis variados de sucesso), e sobretudo fazer previsões para o futuro das viagens – a VT, claro, fez as suas.

No início de maio, foi a vez do The New York Times publicar uma grande reportagem sobre os aspectos da indústria de turismo que irão mudar, principalmente com o fantasma de um novo surto irromper em qualquer lugar do mundo enquanto não se descobre uma vacina.

A matéria do diário americano conta com a análise de diversos especialistas do setor, que vão de acadêmicos a operadores de turismo, e traz exemplos do que já está acontecendo nos Estados Unidos. Selecionamos algumas ideias que poderiam mais claramente dialogar com a realidade brasileira e também com a de outros países, que, aos poucos, reabrem fronteiras e retomam a atividade turística. Confira a seguir:

Companhias Aéreas
Algumas aéreas têm bloqueado o assento do meio a fim de propiciar uma distância social maior entre passageiros em um ambiente onde o contato físico é quase inevitável. A medida tem sido aplicada do mundo inteiro enquanto os voos estão com a demanda bastante reduzida. No entanto, a prática é inviável a longo prazo porque não paga a conta das empresas. Ao mesmo tempo, passageiros não se sentem seguros de entrar em uma cabine lotada. No Brasil, Azul, Gol e Latam já se posicionaram contrárias ao bloqueio do assento do meio.
Levando em conta esse cenário, o NYT vê o conflito entre a necessidade de estabelecer o distanciamento social em aviões e a necessidade de manter a rentabilidade das empresas aéreas como um dos principais desafios do setor – ou pelo menos enquanto não for desenvolvido uma vacina para a Covid-19. Porém, o jornal americano prevê que esse dilema não impedirá as companhias de anunciarem tarifas baratas para atrair viajantes.

Para R. W. Mann, um analista e consultor da indústria do turismo, as promoções surgirão primeiro na classe econômica, mas depois devem migrar para as classes superiores. Isso porque os clientes que costumavam viajar na executiva nem voando estão. Alguns migraram para jatos privativos, concorrentes da classe executiva e da primeira classe das companhias aéreas.

As passagens baratas, porém, não devem durar. O setor só deverá se recuperar em 2022. Uma pesquisa feita pelo site de alerta de passagens Dollar Flight Club corrobora com essa ideia: a plataforma aponta que os voos poderão ficar 35% mais baratos em 2021, mas 27% mais caros nos cinco anos seguintes.

Aeroportos
Já é esperado que a configuração dos aeroportos e a rotina dos passageiros mudem. Termômetros infravermelhos, que identificam à distância se um indivíduo está com febre, já são uma realidade em aeroportos no exterior desde o início da pandemia. A Emirates foi a primeira aérea do mundo a fazer testes rápidos de coronavírus antes do embarque, mas dois meses depois descontinuou a ação quando descobriu que os kits de coleta não funcionavam. Ainda assim, há indícios de que é uma questão de tempo para que testes rápidos confiáveis façam parte da rotina.

O NYT, porém, sinalizou uma outra possível tendência, que é a da expansão dos aeroportos. Esse espaço extra é importante para que os passageiros não fiquem aglomerados em filas. Em entrevista ao jornal americano, o arquiteto especializado em desenhar terminais aéreos, Ty Osbaugh, afirmou: “O espaço nos dá a habilidade de lidar com uma pandemia de uma nova maneira. Os aeroportos podem se expandir verticalmente. As garagens de estacionamento podem ser reaproveitadas como centros de check-in e triagem para que todos os espaços vazios possíveis sejam usados”.

Cruzeiros
O setor de cruzeiros foi um dos mais afetados pela pandemia de coronavírus e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos, chegou a proibir as navegações de navios turísticos no país. O mesmo aconteceu no Brasil no dia 19 de março, quando as embarcações que faziam temporada aqui ficaram proibidas de prosseguir com os roteiros.

Segundo o jornal americano, grandes armadoras como a Carnival e a Royal Caribbean possuem condições financeiras de esperar por uma retomada do setor até 2021. Porém, as tarifas promocionais e as políticas de cancelamento flexíveis não durarão muito e servirão apenas para atrair os turistas de volta ao mar.

O professor da faculdade de hotelaria da Cornell University, Robert Kwortnik, disse ao NYT que acredita que o verdadeiro desafio das armadoras será “reduzir os conhecidos riscos de embarcar em um navio, o que exigirá mudanças operacionais”. Entre essas novas práticas, ele levantou a possibilidade de as armadoras exigirem exames médicos dos passageiros e criarem planos de contingência para casos de pessoas estarem infectadas a bordo.

A especialista no setor de cruzeiros, Ross Klein, acrescentou que acredita em uma mudança no modo de usar dos navios, que podem se tornar hotéis flutuantes. Em vez de navegarem de um porto ao outro, eles ficariam atracados em determinado destino, o que deixaria o passageiro mais autônomo para desembarcar e voltar para casa de avião se assim preferir.

Sobre esse assunto, o CDC também se pronunciou, orientando as empresas a assumirem uma responsabilidade maior na gerência de possíveis surtos dentro do navio, seja tendo testes laboratoriais a bordo, implementando protocolos de desinfestação ou providenciando equipamentos de proteção individual.

A Crystal Cruises já anunciou novas medidas, que incluem o fim dos buffets self-service, medições de temperatura no embarque e desembarque e solicitação de atestado médico para os passageiros com mais de 70 anos.

Destinos
Já é um fato que o turismo doméstico irá se recuperar antes do internacional. Pesquisas voltadas para o público brasileiro indicam que 26% dos entrevistados pretendem viajar para a região Nordeste do país quando a situação se normalizar. A intenção de ir para os Estados Unidos ou a Europa, comparativamente, é só de 8%.

É por isso que o NYT também espera um boom nas viagens de carro. A reabertura dos países em momentos diferentes pode ser confusa para os viajantes, que também se sentirão desmotivados pelos entraves sanitários que devem surgir para cruzar fronteiras. Já até foi lançado um mapa interativo que informa as restrições de viagem em cada país.

Além disso, as famílias estarão, mais do que nunca, inclinadas a fazer viagens econômicas e, consequentemente, mais curtas. Isso favorece os destinos nacionais que podem ser alcançados de carro. No caso do Brasil, as praias regionais tiveram 14% das intenções, perdendo só para as já mencionadas viagens ao Nordeste.

Hospedagens
Um pouco mais incerto é o futuro de plataformas como Airbnb e Alugue Temporada. Se por um lado o aluguel de temporada permite uma estadia mais privativa, por outro os protocolos de higienização não são tão rígidos quanto os da hotelaria.

O Airbnb lançou um novo programa de higienização das acomodações e dará um selo próprio para identificar os anfitriões que seguem as recomendações. Mas um selo não basta, o difícil talvez seja confiar num esquema desse tipo. Enquanto isso, o grupo Marriot, com milhares de hotéis pelo mundo, anunciou que já está usando produtos hospitalares e pulverizadores na limpeza. Só resta aguardar para saber qual será a preferência dos viajantes no pós-pandemia.

Para o NYT, quem sairá na frente nessa disputa são os resorts. Redes como o Club Med, que possuem tarifas all-inclusive e programação de atividades para todas as idades, poderão ser as pioneiras no lançamento de novos protocolos de saúde e higienização, principalmente por conta das crianças. Carolyne Doyon, presidente da cadeia de resorts na América do Norte e no Caribe, disse que “saúde e segurança serão prioridade para os viajantes; isso vai mudar como as famílias escolhem os seus destinos e vai mudar como as empresas de turismo operam”.

O presidente do sindicato Unite Here, que reúne trabalhadores de hotéis, restaurantes e cassinos, concorda com essa ideia. Ele declarou que não se surpreenderia se os viajantes começassem a dar nota para higiene e limpeza com o mesmo rigor que costumam avaliar a comida ou a vista do quarto, por exemplo.

Seguros de viagem
Como a VT noticiou em uma reportagem, quase todas as seguradoras do mercado brasileiro têm em comum uma cláusula que as isenta de auxílio em casos de surtos, epidemias ou pandemias. Isso deverá mudar.

A partir de agora, clientes devem querer saber se de fato o seguro cobrirá duas situações que não estão livres de acontecer: o viajante ser diagnosticado com coronavírus antes ou durante uma viagem, e o destino das férias ser acometido por uma nova onda de contaminação. No caso do Brasil, os seguros talvez lancem mão de cláusulas opcionais ou acessórias para cobrir tais ocorrências, mas é o viajante que deve estar atento a elas.

Para Anna Gladman, proprietária da seguradora World Nomads, a partir de agora os clientes estarão mais atentos às letras miúdas antes de contratar um seguro. Além disso, a demanda por uma apólice que cubra cancelamentos por qualquer motivo deve aumentar, mesmo custando mais caro.

Sustentabilidade
Os produtos descartáveis são mais higiênicos, mas também menos sustentáveis. Por isso, o NYT lançou a pergunta: em um mundo cada vez mais germofóbico, como fica a sustentabilidade?

De acordo com a diretora do programa de turismo sustentável da Universidade de Cornell, Megan Epler Wood, “o trabalho de redução do plástico ficará para trás em relação à questão maior da segurança e da saúde dos viajantes”.

Porém, outros tipos de sustentabilidade terão uma guinada. Megan aponta que, com as medidas de distanciamento social, haverá um aumento no combate ao overtourism, ou seja, o excesso de pessoas, como é o caso de Veneza e Amsterdã.

Além disso, a pandemia veio mostrar a importância de apoiar o comércio local. O professor de turismo sustentável da Universidade de Purdue, no estado de Indiana, disse que será importante carregar esse aprendizado aos lugares para onde viajamos, levando em consideração se o dinheiro que estamos gastando ficará ou não nas comunidades.

Em alguns destinos da África, por exemplo, os safáris e as entradas de parques nacionais são destinados a fundos de conservação do meio ambiente. “Esses lugares possuem um modelo econômico que apoia a proteção da natureza e nós precisamos restaurar economias baseadas na experiência, e não na extração”, defende Gregory Miller, diretor executivo do Centro para Viagens Responsáveis.

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Turismo: a predominância do bem-estar no setor turístico

Quem é do ramo aposta: o turismo de bem-estar logo deixará de ser um luxo para ser um hábito na atualidade

Que tal um dia de viagem que começa um com café da manhã rico em ingredientes da culinária local e depois segue para uma incursão a uma montanha, ao lado de um experiente instrutor de educação física? Ou talvez passar alguns dias surfando em uma praia particular, com meditações regulares na floresta tranquila da Costa Rica? Ou ainda aperfeiçoar seus conhecimentos de ciclismo — é claro, com acupunturistas à espreita caso você precise aliviar a dor pós-pedalada?

Bem-vindo ao mundo do turismo de bem-estar.

O mercado do bem-estar — uma cadeia global de terapias, exercícios, nutrientes e mais — viveu uma ascensão triunfante na última década. As percepções de milhões de pessoas sobre a importância da dieta, do cuidado com o corpo e das práticas saudáveis se transformaram, fortalecendo novos e vibrantes nichos de negócios. E, à medida que o cardápio do bem-estar se expande, os mercados relacionados, do comércio de alimentos à hotelaria, estão começando a oferecer produtos que refletem os valores de consumidores preocupados com corpo e mente.

Marcas que há anos apostam no estilo de vida de bem-estar, como a rede de fitness e serviços Equinox; a SoulCycle, que oferece aulas de ciclismo indoor de alto nível; ou a varejista de roupas esportivas Lululemon, estão fazendo de tudo para acompanhar a corrida e oferecer também a seus consumidores opções de viagens.

O turismo de bem-estar é definido pelo Global Wellness Institute (Instituto Global do Bem-Estar, em tradução livre), uma entidade sem fins lucrativos com sede nos EUA, como “viagens associadas à busca por manter ou melhorar o bem-estar pessoal”.

Não que estes objetivos sejam uma novidade para quem viaja: pense nas peregrinações ao Mar Morto ou em fontes termais na Ásia. O diferencial agora é que, por um lado, o consumidor vê nessas viagens uma extensão de seus valores e estilo de vida. Da parte do mercado, há maior profissionalização e sofisticação dos programas — o que geralmente significa refeições planejadas rigorosamente, exercícios supervisionados e ênfase nos princípios da atenção plena e evolução pessoal.

Isso, claro, tem um preço que chega facilmente aos milhares de dólares — o que faz críticos apontarem para o bem-estar como um privilégio dos mais abastados. Os defensores deste tipo de serviço, no entanto, afirmam oferecer oportunidades de desenvolvimento pessoal e de envolvimento da comunidade.

Mas além das opiniões, vamos aos fatos sobre este mercado.

Extravagância em novas fronteiras

De 2015 a 2017, o mercado global de turismo de bem-estar cresceu de US$ 563 bilhões para US$ 639 bilhões, ou 6,5% ao ano — mais que o dobro do crescimento do turismo em geral, de acordo com o GWI. Até 2022, o instituto prevê que o mercado chegará a US$ 919 bilhões (18% de todo o turismo global), com mais de um bilhão de viagens individuais em todo o mundo.

Anne Dimon, presidente da Wellness Tourism Association (Associação de Turismo de Bem-Estar), acrescenta que, embora qualquer um possa ser um “turista do bem-estar”, o perfil principal é de mulheres com nível superior e idade entre 30 e 60 anos.

Quem for cliente da Equinox, a academia de ginástica americana conhecida por suas luxuosas comodidades e alto valor de matrícula (podendo chegar a mais de US$ 3 mil, cerca de R$ 13 mil), pode desfrutar de uma nova linha de viagens de bem-estar holísticas e luxuosas.

Clientes assim são o que Beth McGroarty, diretora de pesquisa do GWI, descreve como viajantes “primários” do bem-estar — aqueles que viajam com o foco exclusivo em experiências ou destinos centrados no bem-estar.

E embora esse grupo represente apenas 14% dos gastos com este segmento de turismo — os outros 86% vêm de viajantes “secundários”, que incorporam atividades de bem-estar em viagens de negócios ou lazer padrão —, seu custo médio de viagem é muito, muito maior.

“Viajantes (primários) no nível doméstico gastam cerca de 178% a mais do que o viajante médio”, diz McGroarty. “E no nível internacional, eles gastam 53% a mais.”

Para a Equinox, entrar no ramo do turismo significa recriar a extravagância de sua marca em novas fronteiras. E a fórmula tem se mostrado promissora: Leah Howe, diretora sênior da Equinox Explore (a linha de viagens da marca), afirma que quase 100% de seus clientes manifestaram interesse em participar de uma viagem. Várias das seis excursões planejadas para 2020, cada uma limitada entre 12 a 20 pessoas, já se esgotaram.

O pacote mais barato, uma excursão de quatro dias por Florença, começa em US$ 2.350 (cerca de R$ 10,6 mil); o mais caro, por seis dias de caminhada no Marrocos, a partir de US$ 6.250 (R$ 28,2 mil). Aqueles que puderem desembolsar o último valor chegarão no cume do Monte Toubkal ao lado de dois treinadores profissionais, terão jantares com a culinária local e participarão de sessões de ioga e banho a vapor.

O objetivo do Explore, diz Howe, é que os membros do clube voltem para casa se sentindo melhor do que quando saíram. É por causa de sua conexão pré-estabelecida com a marca que eles confiam na Equinox para tomar as rédeas da viagem.

‘Pseudociência’

No entanto, pode-se argumentar que cultivar o bem-estar pode ser simples e relativamente barato.

“Os conceitos básicos de uma boa saúde são inequívocos”, diz Margaret McCartney, clínica geral atuando Glasgow. “Não fumar, tomar cuidado com álcool, ter uma dieta com frutas, vegetais e cereais integrais, exercício, conexões sociais.”

Assim, à medida que a indústria do bem-estar cresce, existe o risco de sermos levados a gastar excessivamente?

Isso depende, opina David Colquhoun, farmacologista da University College London e autor do blog sobre ciência DC’s Improbable Science.

“Ninguém poderia ser contra o bem-estar. Seria como se opor à maternidade ou à torta de maçã”, escreveu ele em 2011. “A única questão que realmente importa é: quanto disso funciona?”

O segmento de bem-estar, não apenas o de turismo, inclui bastante coisa. Há serviços das marcas como SoulCycle ou Equinox que permitem aos membros esquecer das burocracias e focar no relaxamento, cuidado e prazer. Mas esta indústria inclui também empresas criticadas por promover produtos e práticas cientificamente não comprovadas e algumas vezes danosas, como produtos dietéticos “homeopáticos” ou tênis “minimalistas” que aumentam o risco de lesões.

A Goop, marca fundada pela atriz americana Gwyneth Paltrow e que também está entrando no ramo, é frequentemente acusada de promover pseudociência — um programa recente no Netflix sobre a marca e sua criadora, o Goop Lab, foi descrito como um “risco considerável à saúde” por Simon Stevens, chefe-executivo do órgão britânico de saúde National Health Service.

Mesmo sob críticas, a marca está crescendo e também dando seus primeiros passos no turismo. Em janeiro, a Goop anunciou seu cruzeiro de estreia — que percorrerá Espanha, França e Itália em agosto por 11 noites e terá programação com aulas, palestras e encontros com Paltrow em pessoa. O preço inicial é de US$ 2 mil (R$ 9 mil).

Kiki Koroshetz, uma das diretoras da Goop, diz esperar que os clientes levem para casa “uma nova perspectiva, um ciclo mental que possa ser reproduzido regularmente na mente de alguém. Uma ferramenta para gerenciar o estresse, para ter uma conversa difícil, para experimentar mais alegria, para encontrar conexão.”

Encontrando sua turma

Turista no Marrocos; refeições nutritivas e com ingredientes locais são um dos atrativos do turismo de bem-estar

Qualquer que sejam as motivações ou efeitos desse tipo de viagem, representantes da indústria concordam que o senso de comunidade experimentado pelos participantes nestas jornadas é muito importante.

McGroarty diz que reservar um lugar em uma viagem pode ser como um primeiro passo para entrar em uma tribo — afinal, dedicar tempo, recursos e energia em uma viagem de vários dias é um compromisso sério, mesmo para os mais abastados. Também há uma maior propensão a estar cercado por pessoas que compartilham dos mesmos valores e sensibilidades.

“O aspecto comunitário é fundamental”, concorda André Spicer, professor de comportamento organizacional da City University London.

O pesquisador vai além: para ele, jornadas como essas podem atuar como substitutos temporários para as muitas comunidades que foram se dissolvendo nas últimas décadas.

“Isso inclui comunidades locais, religiões, famílias e assim por diante.”

Dimon acredita que, com o tempo, esta tendência possa se consolidar — tornando-se algo não só mais habitual, como acessível, à medida que mais concorrentes entram no mercado.

Três quartos dos adultos americanos relatam estar buscando ativamente maneiras de melhorar sua saúde, lembra Lieberman.

“Você verá esses retiros de bem-estar se tornarem menos novidade e integrados de maneira mais natural às experiências cotidianas”, diz ela. “A acessibilidade é a chave aqui, pois o gerenciamento de sua saúde não deve parecer algo fora de alcance.”

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