Crise reduz em 70% visitas de argentinos a Balneário Camboriú, diz Secretaria de Turismo.

A crise econômica na Argentina acendeu o sinal de alerta para o setor do turismo em Santa Catarina.

Em Balneário Camboriú, Litoral Norte catarinense, entre os dias 1º e 8 de janeiro, chegaram na rodoviária da cidade 70% menos argentinos do que no ano passado. Os dados são da Secretaria de Turismo da cidade. Dos estrangeiros que visitam a cidade durante a temporada, 73% são argentinos.

O movimento de brasileiros cresceu, mas na economia, não é suficiente para compensar a queda dos turistas da Argentina. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, comparando os primeiros dez dias de 2019 com o mesmo período de 2018, houve queda de 78% no número de argentinos que cruzaram a fronteira em Dionísio Cerqueira, no Oeste do estado.

Hospedagem e gastos: Os turistas argentinos fazem diferença por causa da quantidade e do perfil. Costumam viajar com vários membros da família, ficam mais de sete dias, se hospedam em hotéis e gastam em bares, restaurantes e passeios turísticos pagos.”Eles não se hospedam em casa de parentes, de amigos, como acontece muito no mercado nacional.

O turista que é do mercado interno aluga apartamentos também, só que em menor quantidade. Muitos ficam 10, 15 dias. Então eles ativam a economia de uma forma muito mais impactante”, afirma a vice-presidente da Convention Bureau de Balneário Camboriú, Margot Rosembrock Liborio. O turista argentino Hugo Padija conta que costuma viajar para Balneário Camboriú no verão. Este ano quase desistiu. Enxugou outros gastos e diminuiu o tempo de estadia na cidade para dar conta de pagar. “Nos custou bastante”, diz.

Quem consegue viajar comemora e dá ainda mais valor para os dias de folga no litoral catarinense. Além de garantir aos nativos mais uma temporada de conversas animadas em espanhol na beira da praia. “Estamos de vacaciones”, diz a argentina.

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Como as ostras produzidas em Santa Catarina podem ajudar a limpar os mares

Responsável por mais de 90% da ostreocultura brasileira, a ilha onde fica Florianópolis é um exemplo de aquicultura ecológica.

O dia começa cedo para este ostreicultor no bairro de Sambaqui, em Florianópolis (SC). A sensibilidade das ostras à alterações ambientais obriga seus criadores a manter os mares limpos.

FOTO DE MAURICIO SUSIN

Talvez mais que qualquer outro alimento, a ostra é capaz de produzir as mais variadas reações – de verdadeira adoração a profunda repulsa. O poeta francês León-Paul Fargue uma vez escreveu que “comer uma ostra é como beijar o mar nos lábios”. Pode-se imaginar, no entanto, que os primeiros humanos a comer ostras não tenham ficado tão entusiasmados quanto o poeta, pelo menos de início. Com uma casca dura como pedra, abrir uma ostra não é tarefa fácil, e, uma vez aberta, bem… a aparência mole e viscosa e a cor pálida não são das visões mais encorajadoras. Mas assim que esses humanos – certamente famintos – as provaram há milhares de anos, elas definitivamente entraram para o nosso cardápio.

No litoral brasileiro, indígenas já consumiam regularmente ostras e mariscos há milhares de anos. Sabemos disso através dos sambaquis, imensos depósitos de conchas feitos por esses grupos. Hoje, as ostras estão presentes na dieta humana em diversas partes do mundo e há uma demanda em crescimento. Sua produção faz parte da chamada Revolução Azul, que incentiva a produção de alimentos nos oceanos, em referência à Revolução Verde, quando novas tecnologias aumentaram a produção agrícola do mundo inteiro durante as décadas de 1950 e 1960. A aquicultura – criação de animais e plantas aquáticas – é, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a fonte de proteína animal que mais cresce no planeta.

Quase todas as ostras consumidas no mundo provêm de fazendas marinhas que utilizam o ambiente natural do mar para o cultivo. No Brasil, mais de 90% da produção nacional vêm de Santa Catarina, principalmente das fazendas da ilha de Florianópolis. Apesar de existirem espécies de ostras nativas de excelente qualidade, a exótica Crassostrea giga — ou ostra-do-pacífico — tem o maior valor comercial e é a mais cultivada no país e no mundo.

O pesquisador Cláudio Blacher, do Laboratório de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina (LLM/UFSC), explica que a giga encontra nas enseadas da ilha um ambiente ideal ao cultivo: “Aqui a ostra leva de seis a oito meses para ficar pronta para o consumo. Na França, um dos maiores produtores e consumidores dessa espécie, esse tempo é de até três anos. Isso se deve às condições oceanográficas da ilha que apresenta temperaturas mais quentes, menor profundidade das águas e, ainda, abundância de nutrientes”.

Mas, para se chegar a esses resultados, as ostras tiveram que se adaptar às águas brasileiras. “A espécie é acostumada às águas mais geladas do Pacífico, de onde é originária, e aqui teve que passar por um processo de seleção genética para resistir aos meses de verão, com águas mais quentes que as do Pacífico. Nos primeiros anos morria a maioria das ostras e criamos um banco de reprodutores, com aquelas que conseguiam sobreviver aos verões”, afirma Blacher.

Dessa forma, o LMM aumentou a produção de sementes de ostras de 400 mil em 1997 para mais de 45 milhões hoje. Todos os anos, o laboratório distribui milhões de sementes aos ostreicultores da região, a cerca de R$ 35 reais por milhar.

Após receberem as sementes, os produtores passam, então, a armazená-las numa espécie de berçário por algumas semanas até que estejam prontas para irem em definitivo para as lanternas – estruturas verticais de tela com vários compartimentos. As lanternas ficam submersas e atadas a um sistema de espinhéis e boias, também chamado de long line. Em outro método, elas ficam presas a um sistema de madeira conhecido por mesa fixa. Quando são finalmente colhidas, geralmente por duas a quatro pessoas em pequenos barcos, as ostras passam por um processo de lavagem e resfriamento no gelo antes de serem inspecionadas e, finalmente, enviadas, ainda frescas, a clientes de todo o país, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro. Via de regra, a iguaria é transportada por avião em caixas de isopor com gelo e precisam ser consumidas em até cinco dias.

“Vendemos em média 15 mil dúzias de ostras todos os meses para restaurantes”, diz o ostreicultor Vinicius Ramos, 40 anos, proprietário da fazenda Paraíso das Ostras, em Caieira, no extremo sul da ilha de Santa Catarina. Sem dúvida, a produção de ostras teve um grande impacto socioeconômico nas comunidades da ilha, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, onde muitos prosperaram. “Nossa vida mudou bastante com a produção de ostras. Passei de empregado a empresário, e hoje conto com 15 colaboradores. A geração de empregos fortaleceu as comunidades”, disse Ramos.

O pesquisador Claudio Blacher trabalha no Laboratório de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina, no bairro de Barra da Lagoa, em Florianópolis (SC). Utilizando melhoramento genético, o laboratório conseguiu aumentar a produção de sementes de 400 mil em 1997 para mais de 45 milhões hoje.

FOTO DE MAURICIO SUSIN

O crescimento da ostreicultura, entretanto, está fortemente condicionado à sustentabilidade e preservação dos ambientes marinhos. Por se alimentarem através da filtragem da água do mar, principalmente do fitoplâncton, as ostras são extremamente sensíveis à qualidade da água e suscetíveis à poluição costeira. Embora limpem o mar, removendo elementos como o fósforo e o nitrogênio – poluidores quando em altas concentrações – as ostras também podem reter toxinas na carne, tornando-as impróprias para o consumo humano.

Fenômenos naturais também devem ser monitorados. Em setembro de 2018, a chegada de uma maré-vermelha aumentou a quantidade de algas na região. As algas elevaram a presença de uma toxina diarreica nas ostras e obrigou a secretaria de Agricultura e Pesca de Santa Catarina a proibir a venda da iguaria por alguns dias. Uma agência do governo tinha detectado a presença da toxina durante um dos testes quinzenais.

Por serem tão sensíveis, os ostreicultores se empenham na preservação do meio ambiente e não deixam de cobrar a fiscalização pelo governo. “Esse é o ponto mais crucial para nós, sem a manutenção da qualidade da água não há como manter nossa atividade. Os produtores sabem disso e a maioria tem bastante consciência ambiental”, acrescenta Vinicius. Como a produção é considerada orgânica por não usar aditivos químicos e ainda não ser intensiva, respeitando o ciclo natural da espécie, os impactos ambientais são minimizados, mas não inexistentes. Eles podem surgir do tipo de materiais utilizados no manejo e também do impacto paisagístico causado pelas boias e espinhéis.

Com uma população mundial em crescimento, a aquicultura é amplamente vista como uma importante solução para impulsionar a produção sustentável de alimentos, aliviar a pressão sobre os ecossistemas oceânicos e gerar oportunidades de negócios e empregos. A Revolução Azul vem mudando nosso entendimento da produção de alimentos e uso dos oceanos. O Brasil, de grande dimensão costeira, vem desenvolvendo suas potencialidades aquícolas. Nesse contexto, Florianópolis se insere como um modelo de ostreicultura para o resto do país.

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Fernando de Noronha – É proibida a entrada de descartáveis: copos, canudos, sacolas plásticas, talheres e garrafas

O administrador da ilha, Guilherme Rocha, assinou um decreto nesta quinta-feira (13), indicando os produtos que não poderão entrar em Noronha.

O administrador de Fernando de Noronha, Guilherme Rocha, assinou nesta quinta-feira (13) o decreto distrital que proíbe a entrada de descartáveis na ilha, incluindo copos, canudos, sacolas plásticas, talheres e garrafas com menos de 500 ml de conteúdo.

A assinatura foi realizada no Palácio São Miguel e contou com a presença do secretário de Meio Ambiente, Carlos Cavalcanti, representantes do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Conselho Distrital, empresários e moradores.

No ano de 1996, o Governo de Pernambuco emitiu um decreto similar, que acabou não sendo seguido. Agora, o governo local está determinando um prazo máximo de 120 dias para que os empreendimentos e a comunidade coloquem em prática a proibição. Quem descumprir a norma pode pagar uma multa que pode chegar a 20 salários mínimos.

“Na prática teremos os agentes da Vigilância Sanitária, que vão fiscalizar os empreendimentos. Noronha estava precisando de uma ação como essa, o mundo precisa disso e a ilha tem um apelo da filosofia ambiental muito maior que qualquer outro lugar”, afirmou o administrador Guilherme Rocha.

Segundo dados da Administração do Distrito, Fernando de Noronha produz diariamente cerca de 14 toneladas de lixo. Desse total, 20, 84% são recicláveis, 12,50% são produtos orgânicos e 67% são rejeitos. Os produtos que não podem ser aproveitados na ilha são enviados de volta para o continente em embarcações.

A Secretaria de Meio Ambiente deve ajudar na fiscalização. “Nós vamos apoiar e estimular a mudança de comportamento, participando de oficinas e seminários e conscientizando. São 120 dias de conscientização para que, na prática, comece a funcionar o decreto”, informou o secretário de Meio Ambiente, Carlos Cavalcanti.

O ICMBio também está disposto a colaborar. “O ICMBio se responsabiliza em todas as suas estruturas a não mais utilizar esses produtos, um pacto que estamos assumindo perante a comunidade e o Estado de Pernambuco. Nós já trabalhamos na Escola Arquipélago para que a comunidade, através dos alunos, não utilize descartáveis em Fernando de Noronha”, afirmou o oceanógrafo do ICMBio, José Martins.

As novas normas foram aprovadas pelos moradores. “É muito importante, Fernando de Noronha tem produzido muitos resíduos. A assinatura desse decreto foi uma escolha inteligente”, falou o estudante João Aliso, do grupo Coletivo Jovem Mar Noronha.

“Esse decreto é de grande importância, a quantidade de resíduos só vem aumentando. Os estudantes fariam um pedido ao administrador para proibir os descartáveis e recebemos a assinatura do decreto”, comemorou a educadora ambiental da Escola Arquipélago, Fabiane Vilela.

“Nós precisamos fazer uma educação ambiental com os turistas e os moradores da ilha. O decreto traz a punição e agora temos que fazer a educação, o mais importante ”, disse o presidente da Assembleia Popular Noronhense, Antônio Carlos Nascimento.

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