Copa: Aumento de preços reduz turismo tradicional para Brasil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtual localização do Mundial de Futebol no Brasil tornou o destino muito mais caro nesta época e mais indicado a turistas ligados a incentivos empresariais, segundo o presidente da associação portuguesa de agências de viagens.

Referindo que o número de turistas portugueses tradicionais que viaja para o Brasil sofreu “uma acentuada diminuição” nesta altura, o presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, garantiu que a situação é normal quando se realizam grandes eventos num país.  “Em primeiro lugar, há menor disponibilidade aérea (…), porque, neste momento, existem muito mais mercados a aceder para o Brasil, além de Portugal”, apontou Pedro Costa Ferreira, acrescentando um outro fator essencial: “Tudo está mais caro. Quer a chegar ao Brasil, quer no destino.

Os hotéis são mais caros nesta altura, aliás, muito mais caros, os restaurantes são mais caros, as excursões são mais caras”. E para exemplificar, o mesmo responsável lembrou o encarecimento verificado nos hotéis de Lisboa quando, a 24 de maio passado, se realizou na capital portuguesa a final da Liga dos Campeões. Na altura, vários jornais referiram que um quarto num hotel de três estrelas podia custar sete mil euros por noite, mas 97% das camas disponíveis na cidade foram ocupadas por turistas.  “Teremos o Brasil nesse mote durante o Mundial”, garantiu o especialista em turismo. Uma terceira razão para a diminuição do número de portugueses que viajam para o Brasil numa altura em que o Campeonato Mundial vai a meio é a mudança de cenário no país. “O Brasil que o turista tradicional procura está agora menos presente.

 

 

Há mais confusão, há mais pessoas que não são brasileiras, o ambiente está menos brasileiro, há muito menos sossego”, afirmou o presidente da APAVT. Ainda assim, as viagens de Portugal para o Brasil não desapareceram, só são feitas por turistas diferentes. “Há um outro tipo de passageiro mais relacionado a campanhas de incentivos empresariais, quer de clientes quer dos próprios funcionários”, referiu Pedro Costa Ferreira, adiantando que isso deve-se não só ao facto de os preços serem mais caros como à própria natureza da viagem, sem, contudo, avançar valores concretos.  “Não se pode ir assistir ao Mundial estando uma semana numa cidade. Geralmente são viagens de 3 ou 4 dias, até porque os jogos da seleção portuguesa são em cidades diferentes e muito distantes umas das outras”, declarou. Quanto aos preços, isso “depende dos jogos que vão acontecer, a pressão da procura ditará o aumento do preço”, referiu, acrescentando que “um evento deste tipo marca sempre os preços subindo-os, seja 25, 50 ou 100%”.

De acordo com uma pesquisa da Lusa nos sites de viagens, pelo menos três operadores turísticos tradicionais criaram pacotes especiais para o Mundial de Futebol, cujos preços começam nos 3.000 euros, por três noites de alojamento, voos e bilhete para os jogos de Portugal. No caso da Netviagens, o pacote de três noites para assistir ao jogo Portugal/Gana, em Brasília, custa um mínimo de 3.292 euros, valor que aumenta para 3.363 se se preferir assistir ao jogo Portugal/Estados Unidos, na cidade de Manaus.

A agência Top Atlântico cobra a partir de 3.013 euros por um pacote que inclui voos, três noites de alojamento e bilhetes para os mesmos jogos, enquanto a Exoticoline pede 3.363 euros para um pacote semelhante, com bilhete para o Portugal/Estados Unidos. Uma outra agência de viagens, a Cosmos – especializada em eventos desportivos – também tem pacotes para o Mundial e contratou ‘charters’ para complementar as viagens em voos regulares. Neste caso, os pacotes podem chegar aos seis mil euros por três noites de alojamento, bilhete para os jogos e voos.

Os preços não assustam o presidente da APAVT, que explicou ser este fenómeno uma consequência normal do facto de a procura ser maior do que a oferta. “Há muito mais gente que quer assistir a um determinado acontecimento ou ficar num determinado hotel e é muito mais a pressão de quem quer do que a disponibilidade que existe. A prova que é normal é que eles [os preços] sobem, mas as camas são ocupadas”, concluiu.

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