Turismo sombrio leva viajantes a memoriais de tragédias

Visitar um campo de concentração nazista, o lugar onde aconteceu o pior acidente nuclear do mundo ou o maior ataque terrorista da história é um tipo de viagem que ultrapassa o lazer. Com experiências perturbadoras, cenários de tragédias atraem cada vez mais turistas em um fenômeno que já tem nome e sobrenome: dark tourism, na tradução do inglês, turismo sombrio.

A viagem é uma tentativa de reviver o que passou, explica a turismóloga Andréa Prezzi, autora da monografia “Turismo Sombrio: Uma Viagem em Busca do Inusitado”, ao falar sobre o desejo de turistas em conhecer estes locais. “Os promotores do turismo têm de lidar com isso da forma mais ética possível, para que não caia na exploração da miséria”, diz Andréa. Muitas vezes, comercializar o turismo nos locais de tragédia é uma forma de atrair e sensibilizar visitantes, para aprender com a história e evitar que a devastação se repita.

ruinas-do-trade-center

É o que acontece no Ground Zero, em Nova York, onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center e no qual funciona hoje o Museu e Memorial do 11 de Setembro, o maior ataque terrorista da história e suas vítimas. Inaugurado em 12 de setembro de 2011, após um investimento de US$ 700 milhões, só no primeiro ano o memorial recebeu 4,5 milhões de visitas, segundo o jornal Daily Mail. O museu, que ainda não foi inaugurado, e o memorial, juntos, devem custar US$ 60 milhões por ano para operar. O valor do ingresso para o museu, que deve abrir as portas em 2014, ainda não está definido.

Conhecida formalmente como World Trade Center Memorial Foundation, a entidade não tem fins lucrativos e recebe doações de agências governamentais e instituições privadas dos Estados Unidos e de outros países para funcionar. As visitas ao memorial ocorrem por meio de um sistema de reservas online que custa US$ 2. O complexo também conta com uma loja, que vende souvenires, livros comemorativos e vídeos educativos sobre o desastre. Se para as famílias das vitimas envolvidas no desastre comercializar o Ground Zero pode não fazer sentido, para os promotores do turismo é uma forma de valorizar o local.

Campos de concentração

campo-de-concentraçao-nazista

Quase 70 anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia (na época, ocupada pela Alemanha) recebe, em média, 600 mil turistas ao ano e é considerado patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Chamado de Museu Nacional Auschwitz-Birkenau, o antigo campo também é um cemitério, um monumento e um centro de educação e pesquisa. O custo de US$ 42 milhões por ano para mantê-lo conservado é abatido pelo governo da Polônia e por doações de diversas entidades espalhadas pelo mundo.

Criado pelos alemães em 1940, os campos de concentração se tornaram símbolo mundial do Holocausto. Em Auschwitz, foram exterminadas 1,3 milhão de pessoas, entre judeus, polacos, ciganos e prisioneiros de outras nacionalidades, que morreram em conseqüência de fome, trabalhos forçados, execuções e péssimas condições de vida. Até o momento, Auschwitz já foi visitado por mais de 30 milhões de pessoas. Não é preciso pagar para visitar o antigo campo, mas as visitas guiadas de três horas e meia, feitas em inglês, espanhol, francês ou italiano, custam 5 euros por pessoa – R$ 13, conforme a cotação do Banco Central.

Chernobyl sem radiação

usina-de-chernobyl

Somente 25 anos depois do maior acidente nuclear da história, que aconteceu em 1986, que a zona de exclusão que rodeia a usina nuclear de Chernobyl abriu suas portas para turistas. O governo da Ucrânia garante que a visita à paisagem destruída, por até seis horas, não oferece riscos à saúde devido à radioatividade, uma preocupação comum entre os turistas. Organizada por agências especializadas na Europa, no entanto, a viagem depende da assinatura de um contrato que transfere a responsabilidade por qualquer prejuízo à saúde ao viajante.

Para visitar Chernobyl, o turista, que recebe um traje especial contra a radiação, paga de US$ 100 a US$ 500, dependendo do pacote da agência, se inclui guia turístico e se é em grupo. O impacto da radiação e a paisagem de destruição vem atraindo turistas do mundo todo, que apostam em sua curiosidade e ousadia em detrimento do medo.

Esta entrada foi publicada em Turismo Sombrio e marcada com a tag , , , , , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *