Turismo no exterior – Turistas brasileiros investe mais em compras


Devido ao aumento de brasileiros visitando o exterior, o Banco Central contabilizou índices recorde de gastos em viagens internacionais

Não é por acaso que muitos brasileiros já puderam aproveitar a comodidade do atendimento em português durante as compras no exterior. Dos outlets americanos até a tradicional magazine francesa Printemps, se há uma coisa que o comércio estrangeiro aprendeu sobre o turista brasileiro é que o consumo material é um dos principais motes das suas viagens.

O aumento no fluxo de pessoas que embarcaram em passeios ao exterior nos últimos anos fez os índices de despesas internacionais do Banco Central (BC) registrarem números históricos: em 2011, foram deixados US$ 21,2 bilhões fora do país, cerca de 30% a mais do que no ano anterior. O primeiro semestre deste ano totalizou US$ 10,702 bilhões em gastos externos e encerrou em queda devido à valorização do dólar, mas, para os especialistas, a situação deve se estabilizar até o final do ano.

Com o progresso econômico experimentado pelo país na última década, não só os destinos internacionais ficaram mais próximos dos roteiros de férias dos brasileiros como muitas vezes eles se tornam uma opção mais vantajosa do que as viagens domésticas. E ao contrário dos americanos e dos europeus ? que costumam investir em serviços de qualidade, como bons hoteis e refeições ?, o turista brasileiro preza pelas compras, especialmente bens sobre os quais são aplicados impostos em cascata no país. “Mesmo com as variações cambiais e algumas facilidades, como redução de IPI para computadores, por exemplo, ainda existe uma diferença razoável de preço que justifica comprar por lá”, explica Nuno Fouto, pesquisador do Programa de Administração de Varejo da FIA. “Como o volume de varejo americano é muito maior do que o nosso, o mercado é mais competitivo e as margens de lucro tendem a ser menores”, acrescenta.

Além dos preços reduzidos, há uma gama mais interessante de produtos diferenciados à disposição dos viajantes. “A oferta no exterior, tanto na Europa quanto nos EUA, é um pouco maior e mais qualificada do que aqui no Brasil”, diz o pesquisador. Fouto estima que, em uma viagem aos Estados Unidos, o gasto médio com compras adicionais fique entre US$ 2,5 mil e US$ 3 mil por família, valores superiores ao dos próprios turistas americanos e que competem com os investimentos dos asiáticos em viagem.

Preferência por gastar em produtos em vez de serviços

Retornar com lembrancinhas na bagagem pode inclusive compensar a hospedagem mais modesta ou jantares menos glamurosos. “Em alguns casos, o turista brasileiro comete o erro de muitas vezes deixar de fazer determinado passeio para poder comprar alguma coisa. Ele precisa que haja tempo para compras nas suas viagens”, conta Ronaldo Faria, gerente de treinamento e capacitação da FlyTour Viagens.

Faria explica que a média de gasto por turista depende muito do destino escolhido e do perfil do viajante. Nos EUA, os maiores focos de investimento são Nova York e, recentemente, Las Vegas e Miami. “Quando pensamos no passageiro que está indo para Orlando, por exemplo, as despesas com compras e parques se misturam e chegam a um volume forte de US$ 150 a US$ 180 por dia”, afirma, com base nos dados do acompanhamento das viagens realizadas pela FlyTour.

Em viagens à Europa ? onde a Espanha e a França estão entre os destinos mais populares ?, o valor fica na faixa de 80 euros por dia, e em regiões como a Escandinávia, pode chegar a 100 euros diários. “É um lugar onde mesmo as lembranças mais simples são muito caras e esse tipo de turista é uma pessoa que já viajou o suficiente e tem controle sobre seus gastos”, esclarece. O produto adquirido também varia de acordo com o lugar: nos EUA, é marcante o apelo por eletrônicos, enquanto na Europa a preferência é por itens de vestuário e acessórios em geral.

Brasileiro tem planejado melhor suas viagens

O executivo explica que o aumento nos totais de gasto também se deve a uma mudança comportamental operada no turista brasileiro nos últimos anos. “Hoje, de forma geral, ele está deixando de ser comprador de última hora para começar a fazer viagens mais pensadas”, explica. A prática justifica o gasto recorde de US$ 1,82 bilhão contabilizado em maio, 9,7% a mais do que no ano passado, quando a cotação do dólar chegou a R$ 1,59 ? em 2012, quem havia se planejado com antecedência já estava com o dólar ou o euro na mão pronto para ser usado, seguindo uma espécie de previsão de caixa. “O público brasileiro tem uma filosofia interessante: se ele guardou mil dólares para gastar na viagem, ele não vai utilizar aquele dinheiro em outra coisa”, conta Faria.

Dessa forma, a baixa nas despesas em viagens internacionais registrada no final do primeiro semestre deste ano não sinaliza uma queda nos gastos, mas no número de turistas que foram para o exterior e na duração das viagens realizadas durante o período. A valorização do dólar fez com que muitos dos passeios programados para durar mais de duas semanas fossem encurtados e também deixou o viajante mais alerta em relação ao uso do cartão de crédito. “É uma tendência normal que nesse período haja uma queda nas vendas, mas acreditamos que, com o câmbio se mantendo estável, as pessoas se habituem e comecem a fazer poupança para viagens internacionais”, afirma Faria.

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