Turismo médico – Cresce a procura por tratamentos de pacientes estrangeiros no Brasil

Os hospitais e clínicas de excelência que atuam no mercado brasileiro, principalmente na capital paulista, têm sentido um crescimento da procura por tratamentos de pacientes estrangeiros, modalidade de negócios que deve movimentar mais de US$ 100 bilhões no mundo este ano, segundo estimativas informais da rede hospitalar. Para especialistas, no ano passado o mercado já estava aquecido, quando a busca de pacientes estrangeiros por opções qualificadas e mais baratas representou mais de US$ 60 bilhões em gastos no mundo todo.

Hoje o “turismo médico” aquece também o mercado brasileiro e atrai o interesse de empresas como o CIC – Clínica de Cirurgia Plástica e Estética e Transplante Capilar, que espera receber 20% mais de turistas estrangeiros este ano.

De acordo com a proprietária da clínica que leva seu nome, 80% do público que vem ao Brasil para fazer tratamentos estéticos é feminino e, em sua maioria, de países da Europa, como Inglaterra, França, Alemanha e Portugal. “A novidade é que agora o setor de turismo médico tem-se preparado melhor para receber essa demanda de estrangeiros”, comentou Luciana.

Na área de tratamentos médicos, os hospitais viram esse segmento despontar e tiveram de adaptar seu espaço e seus serviços para atender ao público de fora. No Hospital do Coração (HCor) as ações adotadas parecem ter dado resultado e o empreendimento estima aumento de até 60% do fluxo de pacientes vindos do exterior este ano; em 2009 o hospital contabilizou alta de 40% neste tipo de serviço, se comparado a dados de 2008.

Há mais de 10 anos nesse segmento, o Hospital Israelita Albert Einstein recebeu, no ano passado, mais de 4,5 mil pacientes estrangeiros. De acordo com o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Claudio Luiz Lottenberg, o número de pacientes estrangeiros que fazem tratamento no Einstein apresenta um crescimento médio de 15%. “Os pacientes que vêm da América Latina e de Angola nos procuram pela excelência de atendimento, facilidade da língua e proximidade. Quanto aos pacientes vindos da América do Norte e da Europa, em sua maioria, são pessoas que fixaram residência no Brasil há menos de um ano.”

Internações

Outro centro privado de tratamento médico que está animado com esta modalidade de negócios é o Hospital Samaritano, que vê o número de internações de estrangeiros representar, por ano, 3% do total de atendimentos. Os pacientes, em sua grande maioria, são de países da América Latina e dos Estados Unidos. Para o superintendente comercial do hospital, Júlio Oscar Mozes, o evento é de extrema importância, pois apresenta São Paulo como uma referência internacional no serviço médico-hospitalar.

“A participação do Samaritano tem como objetivo apresentar a marca internacionalmente e contribuir com a construção de um serviço médico-hospitalar cada vez mais gabaritado e reconhecido”, afirmou Mozes.

O Hospital Sírio-Libanês, outro centro de referência médica considerado uma opção em nível internacional, e instalado na capital paulista, afirma que viu o volume de pacientes estrangeiros aumentar 30% entre 2009 e 2010, e acredita que este seja um viés importante de crescimento.

Panorama

De olho na expansão deste mercado, a empresa brasileira Medical Travel Brasil organizou recentemente, em São Paulo, o primeiro evento internacional sobre o assunto, o “Medical Travel Meeting Brazil”, a fim de fomentar e estruturar esse mercado de maneira mais homogênea no País. Nos últimos três anos 180 mil pacientes estrangeiros procuraram o Brasil para tratamentos médicos, segundo dados do Ministério do Turismo, que também apoia a iniciativa de realizar o evento.

A feira e congresso contaram com 30 expositores do mundo todo, e a expectativa dos organizadores era atrair mais de 400 visitantes em quatro dias. Para a organizadora do evento, Mariana Palha, o Brasil está intensificando suas estratégias para conquistar espaço neste cenário promissor. Ela acredita que o Brasil já seja considerado uma forte referência mundial em termos de cirurgia plástica, tratamento odontológico, ortopedia, cardiologia, neurologia, reprodução humana e cirurgia bariátrica, e também possui mais hospitais certificados com acreditação internacional do que os líderes mundiais do setor. “Precisamos estruturar melhor este mercado, fomentar novos negócios e divulgar internacionalmente nossa medicina de excelência.”

De acordo com levantamento conduzido pela empresa Deloitte Center for Health Solutions, a expectativa do setor nos próximos anos é de um crescimento sustentável de 35%. Estima-se que até 2012 o número de pacientes aumente para 1,6 milhão, ante os 750 mil obtidos no último estudo, em 2007.

Os EUA lideram o ranking de países cujos pacientes optam por tratamentos no exterior, seguidos de Canadá, Itália, Portugal, China e Angola. Na opinião de Mariana, com esse evento o Brasil passará a conhecer este mercado, e com isso é esperada uma grande estruturação do setor médico para receber estes turistas.

“O turismo de saúde é um mercado que começou há muitos anos, e no Brasil ele já acontece mas informalmente. Nós recebemos um número de turistas estrangeiros muito grande hoje; entretanto, muitas vezes esses pacientes vêm ao Brasil sem intermédio de ninguém, e ficam desamparados.” Mariana destacou que o setor brasileiro de turismo médico está carente de dados específicos sobre suas atividades, e que a primeira atitude para organizar isso é acrescentar ao formulário de migração, como motivo de entrada, a viagem para tratamento médico. A organizadora do evento comentou ainda que em alguns países já existe o visto médico, diferente do de negócios ou turismo, garantindo orientações mais específicas.

“A identificação com este documento contribui para o registro de indicadores sobre a prática, que visam à melhoria constante dos serviços, de acordo com as necessidades dos pacientes. Dessa forma, também é possível desenvolver uma série de serviços complementares ao tratamento, como recepção bilíngue e transporte personalizado, por exemplo”, acrescentou.

Além disso, ela destacou que esse mercado é um incentivo para que os hospitais invistam e se qualifiquem para o mercado internacional. “Isso gira a economia do País como um todo.”

Os principais hospitais brasileiros, principalmente os que atuam na capital paulista, estão animados com o crescimento da procura por tratamento médico de pacientes estrangeiros, negócio que movimentará US$ 100 bilhões no mundo este ano, calculam empresas do setor. O crescimento vem tanto de tratamentos estéticos como médicos, de pacientes da América Latina, da Europa e dos Estados Unidos interessados em opções qualificadas e mais baratas.

Há mais de 10 anos atendendo pacientes do exterior, o Hospital Israelita Albert Einstein recebeu, no ano passado, mais de 4,5 mil estrangeiros, e tudo indica que essa modalidade crescerá em média 15% nos próximos anos, afirma o empreendimento. Para atender à demanda tanto do País quanto do exterior, o Einstein aplicará R$ 1,5 bilhão até 2012 na reforma da unidade do Morumbi, e na recente abertura de um novo hospital no bairro paulistano da Pompeia.

No Hospital do Coração (HCor), as ações adotadas para atender a essa demanda estrangeira parecem ter dado resultado, pois o centro médico estima aumento de até 60% do fluxo de pacientes vindos do exterior este ano. Em 2009, o hospital contabilizou alta de 40% nesse serviço.

Fonte DCI

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