Turismo, compras e viagens ao exterior – Dólar barato favorece os brasileiros nas compras

Moeda-america cai para R$ 1,612, menor valor desde agosto de 2008

Apesar das medidas do Banco Central para conter a queda do dólar em relação ao real, a moeda norte-americana continua caindo e fechou nesta sexta-feira (1º) em baixa de 1,10%, cotado a R$ 1,612, menor valor desde agosto de 2008, quando terminou o dia em R$ 1,610.

Com a queda da moeda americana, as compras de produtos importados e as viagens ao exterior pesam menos no bolso do consumidor brasileiro.

Mesmo com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para pagamentos de gastos no exterior com cartão de crédito, de 2,38% para 6,38%, anunciado recentemente pelo governo brasileiro, comprar lá fora ainda continua atrativo, seja durante viagens ou via internet.

Além da cota de R$ 811 (US$ 500) das compras feitas no exterior, o brasileiro pode aproveitar o dólar em baixa no free-shop – lojas que vendem produtos diversos, de uísques a câmeras fotográficas, que ficam nos aeroportos internacionais. Quando desembarcam, os turistas podem comprar mais US$ 500 em mercadorias, livres de impostos.

Ou seja, a desvalorização do dólar em relação ao real aumenta o poder de compra do brasileiro em países como os Estados Unidos. Com isso, produtos como perfumes, roupas, eletrônicos, bebidas, entre outros, ficam muito mais baratos. Cursos e viagens para o continente norte-americano também ficam mais acessíveis.

O professor de finanças Luiz Jurandir, da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade), lembra que com o dólar mais baixo, os cursos de especialização e pós-graduação no exterior e os gastos para o aluno se manter fora do país (alimentação, alojamento e transporte, por exemplo) passam a caber melhor no bolso.

A responsável pela Acoi (Assessoria de Cooperação Interinstitucional e Internacional) do Mackenzie, Cláudia Forte, destaca, por sua vez, que a questão financeira não é o fator de maior influência. Segundo ela, o planejamento do aluno “e a cultura que se cria em se investir em uma experiência acadêmica internacional” é que realmente pesam na hora de fazer um curso fora do país.

Mesmo em tempos de dólar mais perto dos R$ 2, diz Cláudia, ainda há procura por cursos – como intercâmbios de graduação de um semestre ou um ano, cursos de extensão nas férias, mini-MBAs e pós-graduação – no exterior.

– Há a cultura em se fazer esse tipo de investimento e, portanto, muitos alunos economizam para isso.

A demanda por intercâmbios principalmente por parte dos alunos de graduação em arquitetura e direito é grande, segundo a universidade. Os principais destinos procurados pelos alunos são Europa – em particular Portugal, França, Itália e Espanha – e Estados Unidos.

Cuidados

O presidente da ABC (Associação Brasileira do Consumidor), Marcelo Segredo, vê no dólar barato um bom momento para que o consumidor consiga finalmente comprar aquele vinho ou aquele chocolate que só via nas vitrines. Mas a oportunidade, segundo ele, infelizmente chegou na hora errada.

– Para quem tem reserva financeira, é oportunidade para adquirir aquele produto importado com que tanto vinha sonhando, um vinho, um azeite ou um chocolate. O dólar baixo, no entanto, acaba estimulando o consumo em um período crítico: o primeiro trimestre em geral é marcado por demissões de funcionários temporários, despesas com impostos e escola das crianças.

Ele também lembra que a compra de produtos importados impõe cuidados específicos.

– É preciso cuidados, como verificar a procedência do produto; no caso de aparelhos eletrônicos, o consumidor precisar ver onde há assistência técnica – em alguns casos, nem há assistência em São Paulo. Também é preciso checar o revendedor. Muitos produtos importados são vendidos pela internet, e em geral não há um endereço nem um telefone da revenda, apenas um e-mail. O consumidor fica vulnerável.

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