Santa Catarina – Indústria do turismo aposta na força da Classe C

Cento e quatro milhões de brasileiros da Classe C querem passear, assistir espetáculos e ir às praias novas e desconhecidas. Esse contingente, que representa hoje 53% da população total brasileira, não abre mão das férias e movimenta R$ 1 trilhão por ano. “O turista da classe C tem um diferencial. Ele tem uma visão específica de passeios, de viagens, das excursões e do turismo em si. Costuma viajar em grupo e percebe a viagem como uma forma de se sociabilizar”, afirma o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Balneário Camboriú, Ademar Schneider.

Com propriedade, Schneider discorre sobre a movimentação turística já que Balneário Camboriú é um dos destinos preferidos em Santa Catarina. Para se ter uma ideia, na última temporada, de dezembro de 2012 a março de 2013, mais de dois milhões de turistas visitaram a cidade. Exatamente 2.235.227 visitantes, segundo a Sectur (Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico). O cálculo é baseado na coleta de resíduos, que é 700 gramas por pessoa, e na população fixa de 113.319 habitantes.

Entretanto, o fluxo turístico de Balneário Camboriú se estende ao longo de todo o ano. No total, 4.218.510 pessoas visitaram o município durante o ano passado, de acordo com duas pesquisas realizadas. Uma feita pela Sectur durante todo o ano, e a outra, em parceria com a Santur (Santa Catarina Turismo S.A.), realizada em janeiro e fevereiro.

Desse número, pelo menos 60% devem vir da Classe C. O gasto médio do turista nacional em janeiro de 2012 foi de R$ 78,74 e em fevereiro foi de R$ 108,99, isso excluído o valor de hospedagem, conforme a pesquisa da Santur em parceria com a Sectur.

As estimativas apontadas no diagnóstico sobre a classe média brasileira, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, revelam que a renda familiar total varia de R$ 1.300 a R$ 3.700 por mês. O estudo tem como base o fato de que, em média, a família brasileira tem cerca de três membros, o que faz com que a renda per capita tenda a ser 1/3 da renda familiar total. “É um público que vem ganhando renda e apresentando novo perfil de consumidor”, opina Schneider.

Mercado interno

O Ministério do Turismo aposta na força do mercado interno de viagens. A pedido do ministério, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou em abril a Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem, mostrando que aumentou o número de brasileiros dispostos a viajar nos próximos meses e que a preferência da maioria, um percentual de 48,2%, é por viagens dentro do Brasil. “Mais de 40 milhões de brasileiros foram incorporados ao mercado de consumo e estamos criando condições para que essas pessoas viajem cada vez mais”, disse o ministro do Turismo, Gastão Vieira. Ele apontou os investimentos do MTur em obras de infraestrutura, em qualificação profissional e em políticas para aumentar a competitividade do turismo nacional, como medidas importantes para se alcançar este objetivo.

A nova classe média apresenta uma demanda crescente por produtos e serviços. Em Santa Catarina, diz o presidente da Abav-SC (Associação Brasileira de Agências de Viagens de Santa Catarina), Mário Lobo Filho, da Adinco Turismo, os turistas da classe C são, na baixa temporada, os principais geradores de renda. “Eles são de todas as faixas etárias e buscam conhecer a cultura do local”, aponta. Segundo ele, um destino turístico catarinense bastante procurado com estas características é a região serrana do Estado.
Outra característica do poder de consumo da classe C é a opção por destinos turísticos num raio de até aproximadamente 800 quilômetros de distância da cidade de origem. “Ao passar disto, a viagem pode tornar-se muito cara”, assinala Lobo Filho. Por conta disto, para ele, a classe C é o grande motor da economia do turismo no Estado.

Feiras e workshops são utilizados como estratégias para trazer novos turistas dessa nova classe socioeconômica para Santa Catarina. “Sempre estamos participando de eventos no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo para atrair cada vez mais esse tipo de turista”, observa.

A Abav-SC incentiva a promoção da cultura catarinense em grandes eventos. “Em um Estado, onde a viagem de um destino a outro gira em torno de 50 km, em média, e onde cada local tem características naturais e culturais completamente distintas, são um grande atrativo para a classe C. “As pessoas estão sempre em busca de conhecimento cultural e, Santa Catarina proporciona tudo isso perto”.

Para o vice-presidente financeiro da Abav-SC, Eduardo Loch, da Adetur Turismo, as pequenas e médias agências de viagens foram as responsáveis pela entrada da classe C no mercado turístico. “Esta movimentação foi fomentada através da composição de dois fatores básicos: a baixa temporada para fazer ofertas e a parceria com as companhias aéreas, permitindo o parcelamento de pagamento do produto turístico em até 70%”, destaca. “Este foi o grande diferencial que garantiu o contínuo interesse e o crescimento do setor”.

As pequenas agências de viagens são dirigidas por empreendedores entre 27 milhões de brasileiros que possuem um negócio ou estão envolvidos na criação de um. Esse fato coloca o Brasil no terceiro lugar de uma lista de 54 países, de acordo com a pesquisa de abrangência mundial, Global Entrepreneurship Monitor (GEM).

Baixa temporada

O turista da classe média brasileira viaja frequentemente na baixa temporada. Ele aproveita os fins de semana e os feriados prolongados. O Sindisol (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região), que avalia a ocupação hoteleira no Norte do Estado, constata que nestes períodos, Balneário Camboriú apresenta um aumento considerável na visitação.

Embora o Brasil já reconheça o poder desse turista, de acordo com o secretário de turismo de Balneário Camboriú, ainda há uma forma modesta de exposição de pacotes turísticos para este público. “As estratégias para atender bem a esse turista é aproveitar ao máximo sua estadia na cidade. Por isso trabalhamos na divulgação do que Balneário Camboriú tem a oferecer a ele, como passeios, compras e lazer, de forma geral”, exemplifica. A este novo consumidor de sonhos se faz urgente um universo de consumo, lazer e diversão na mesma medida do seu sonho.

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