Paulista larga tudo para viajar pelo Mercosul a bordo da sua bicicleta.

paulista-larga-tudo-para-viajar-pelo-mercosul-abordo-da-sua-bicicletaRafael Parra sempre foi ciclista e viajava para cidades próximas, um livro fez com que o hoteleiro deixasse tudo e se aventurasse pela América do Sul. Rafael Parra sempre amou o ciclismo, utilizava como meio de transporte em São Paulo e fazia viagens curtas pelo litoral e interior paulista com os amigos. A motivação para fazer a grande viagem começou em 2011, quando ganhou o livro Pelos Caminhos de Nuestra América, sobre um ciclista que saiu de Fortaleza e percorreu a América do Sul e Central.

O hoteleiro pensou:

-Se ele foi, eu também posso! O que preciso fazer é pedalar? Então é fácil! Desde então vinha administrando esse pensamento dentro de mim, mas me faltava tempo, dinheiro e coragem. No final de 2013 o stress da cidade se tornou insuportável para Rafael e no dia 23 de dezembro ele largou o emprego, fez as malas e viajou com amigos para a Praia do Rosa, Santa Catarina, para colocar as ideias no lugar.  -No caminho fui me imaginando de bicicleta na estrada, em meio a caminhões, buracos, etc. Analisei possibilidades e percebi que era possível encarar a aventura e realizar meu sonho.

Preparação para a aventura

Primeiro o hoteleiro comprou a “Jurema”, a bicicleta, que ganhou esse nome em homenagem a uma criança que ele conheceu em Bonito, em 2011. Só depois Rafael descobriu que Jurema é o nome de uma planta sagrada que tem poder de cura e proteção. Foram três meses  comprando equipamentos, traçando roteiros, analisando riscos e pesquisando materiais, sempre pensando no peso final que teria que carregar na bicicleta.  Rafael optou por realizar uma viagem econômica sem depender de hotéis e restaurantes. Carregaria mais peso para ter autonomia no caminho. Buscou equipamentos leves como fogareiro, barraca, isolante térmico e saco de dormir.

– Qualquer pessoa pode pedalar 30km, no seu ritmo, mas uma pessoa com melhor preparo irá alcançar mais rápido seus objetivos. A ideia não é de corrida contra o tempo, mas sim aproveitar cada quilômetro percorrido.

Rafael sempre gostou de esportes e já fez remo, slackline, corrida, natação, surf, skate. A ideia era visitar todos os países da América Central e do Sul, mas por problemas com o passaporte ele decidiu passar apenas pelos países do Mercosul. Rafael quer percorrer todos os estados brasileiros banhados pelo Oceano Atlântico e os países banhados pelo Oceano Pacífico. Alguns lugares faz questão de ir: Arraial do Cabo-RJ, Regência-ES, Itacaré-BA, Salar de Uyun na Bolívia, Machu Picchu no Peru, Atacama e Carretera Austral no Chile e as Patagônias.

Começo da viagem

Rafael saiu de São Paulo e pedalou pela rodovia Rio-Santos, passou por Bertioga, São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba, Paraty, Angra dos Reis, Mangaratiba e Rio de Janeiro.  Em pouco tempo de viagem o aventureiro já coleciona histórias. Abaixo ele conta como foi a primeira noite da aventura.  -Fiz tudo conforme sonhava. Estava anoitecendo e fui ajeitando as coisas na barraca, observo uma luz forte se aproximando no horizonte, a lua mais incrível que já vi nos meus 24 anos. Parece que veio me dar boas vindas. Entro na barraca e travei uma guerra com meu inusitado amigo de quarto, um siri invadiu as minhas coisas. A guerra durou horas, até que desisti e aceitei a presença dele. Acordo e vem com a mesma grandeza o sol. Despertei com a sensação de que fiz a melhor escolha de todos os tempos.

Desafios

-O começo de todo grande projeto de aventura é turbulento. Deixar pra traz sua zona de conforto ou que acreditamos que seja, isso é um desapego tremendo. A realização de um sonho é algo grandioso, quando você é o protagonista tudo se torna mágico e até os obstáculos fazem sorrir. Está sendo mais fantástico do que eu esperava, ando distribuindo sorrisos de graça!  Os obstáculos maiores foram as mudanças do tempo, as grandes subidas em cima da bicicleta e o preparo do próprio alimento em locais nada parecidos com sua antiga cozinha.  O viajante quer fazer alguns trabalhos manuais em madeireiras e se informou sobre ONGs em cidades que vai percorrer, ele pretende dedicar um tempo do projeto a diferentes causas.  A realização de um sonho é algo grandioso, quando você é o protagonista tudo se torna mágico e até os obstáculos fazem sorrir” Rafael – -Quero explorar, buscar nas mais simples regiões a essência da vida, um instinto coletivo que as cidades grandes perderam.

Apoio das pessoas

-As pessoas estão me recebendo de braços e ouvidos abertos. Me oferecem abrigo, comida e companhia. Apesar de viajar sozinho, até agora não me senti só. As pessoas sempre questionam o motivo da viajem, se colocam no meu lugar e dizem: não teria coragem. Para mim não é a coragem que move sonhos e sim a vontade de concretizá-los. É essa energia que se transforma em combustível para ir mais longe e conhecer mais lugares e pessoas.

Compartilhando o sonho

De início Rafael só iria usar as redes sociais para falar com familiares, mas eles começaram a compartilhar as fotos que postava e pessoas que ele não conhecia estão aconpanhando a trajetória.  -Recebi contato de pessoas que queriam me acompanhar em algum trecho. Assim decidi criar uma página no Facebook, que ainda está em construção. Lá vou postar fotos, dar dicas de alimentação, locais de repouso, pontos de visitação, equipamentos e etc.

-Seria egoísta não compartilhar essa história que pode servir de incentivo para as pessoas. Seguindo a filosofia de Christopher MacCandless: “A felicidade só é real quando compartilhada”.

Dica para quem quer se aventurar:

Rafael explica que planejamento é fundamental e não se pode economizar com equipamento se quiser ter conforto e segurança. Pesquisar rotas e condições das estradas é muito importante.  -O ciclo turista deve ter o prazer em pedalar diariamente, tendo em mente que os obstáculos vêm e vão, e que a superação deles é prazerosa. A pressa deve dar lugar a paciência. Não importa se as subidas são intermináveis depois delas vem sempre uma belas paisagens.

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