No passado, Brasil já teve material oficial de turismo com apelo sexual.

 

no-passado-brasil-ja-teve-material-oficial-de-turismo-com-apelo-sexualO caso das camisetas do Brasil com conotação sexual, que veio à tona esta semana, gerou forte repercussão negativa, levando até a presidente Dilma Rousseff a se manifestar. No passado, no entanto, a fama de sensualidade da mulher brasileira chegou a ser usada em campanhas oficiais para atrair estrangeiros ao país.

Prova disso é o material de divulgação da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) levantado pela profissional de turismo Kelly Kajihara, pesquisadora da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), para seu trabalho de graduação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Ela reuniu publicações desde a criação do órgão, em 1966, até 2008, quando a pesquisa foi produzida.

A conclusão da estudante foi que, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, e até meados da década de 1990, os folhetos oficiais de promoção do Brasil para estrangeiros exploravam a mulher como um atrativo turístico. “Em muitas publicações oficiais, a imagem da mulher era o centro do material de divulgação, sem contexto, sem nada. Você não sabia onde ela estava, só aparecia o corpo da mulher”, afirma.  Imagem histórica:  Kajihara explica que, segundo sua pesquisa, essa imagem já vinha sendo gestada desde a época do Brasil colônia, quando o país era descrito pelos portugueses como um paraíso exótico de índias seminuas.

A partir da década de 1930, com a ampliação da comunicação de massa, o estereótipo do país do carnaval, da alegria e das mulheres bonitas se consolidou.  Segundo o presidente da Embratur, Flavio Dino, a orientação do órgão na atualidade é que imagens com apelo sexual sejam evitadas na divulgação do Brasil no exterior, e que o foco fique nos atrativos naturais e culturais do país. “Isso foi eliminado hoje.

Há um cuidado de não haver a exposição do corpo, de moças de biquíni. As pessoas que aparecem nas peças publicitárias estão sempre vestidas, mesmo na praia ou no samba”, disse.  O órgão condenou publicamente a camiseta com alusão sexual da Adidas e pediu, em carta, sua retirada de circulação. Em entrevista coletiva, Dino disse que as patrocinadoras da Copa do Mundo devem seguir os parâmetros utilizados pelo governo há “mais de uma década” – entre eles, o de “não tratar os corpos de homens e mulheres brasileiros como atrativos turísticos”.  Kelly Kajihara considera que o caso das camisetas da Adidas não é isolado. “O governo mudou a estratégia. Mas é muito difícil mudar um estereótipo, e esse caso é um reflexo de que o Brasil continua sendo visto dessa forma”, diz.

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