Juíza nega fiança para brasileiro preso por tráfico humano na Flórida

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Cassius Dietrich chamou a atenção de agentes federais quando tentava entrar no país em companhia de uma menina de 11 anos de idade e outra de 18 anos.

O agente de viagens mineiro Cassius Dietrich, de 40 anos, poderá ser condenado a 10 anos de reclusão na Flórida, caso seja considerado culpado de tráfico humano. Conforme o seu antigo advogado de defesa, Max Whitney, ele enfrenta a acusação de trazer crianças do Brasil para se reunirem com seus pais indocumentados nos Estados Unidos.

Cassius chamou a atenção de agentes federais quando tentava entrar no país, vindo do Rio de Janeiro, em companhia de uma menina de 11 anos de idade e outra de 18 anos. Ele teria apresentado um passaporte alemão, que não necessita de visto para entrar nos EUA (Programa Waiver), ao agente da Alfândega e informado que acompanhava as duas jovens. O destino da viagem seria a cidade de Boston (MA). No aeroporto, os três foram encaminhados a salas separadas e interrogados. A princípio, o agente de viagens alegou que levava as jovens para um passeio turístico a Disneylândia, em Orlando (FL), mas as duas se apavoraram e disseram a verdade às autoridades. Pressionado, Cassius admitiu ter acompanhado outras pessoas a várias cidades nos Estados Unidos, publicou o jornal comunitário Gazeta News.

Dietrich alegou que pensava não fazer nada ilegal, pois as jovens possuíam visto de turista e passaportes brasileiros válidos. Entretanto, segundo as leis federais vigentes nos Estados Unidos, o objetivo de transportar, mesmo que seja legalmente, crianças com a intenção de deixa-las permanentemente no país já implica em tráfico humano.

O réu compareceu à audiência no tribunal em Miami (FL), durante a qual pediu para responder o caso em liberdade em troca do pagamento de fiança, entretanto, a Juíza Andréa Simontin negou o pedido, pois Cassius não possui parentes ou vínculo empregatício no sul da Flórida, segundo o jornal El Nuevo Herald.

Caso as autoridades federais decidam acusa-lo de todas as pessoas que ele acompanhou aos Estados Unidos, Cassius pode ser condenado a 10 anos de prisão por cada uma delas. Após serem interrogadas, as duas jovens foram liberadas e entregues aos seus pais em Boston (MA), entretanto, terão que retornar ao Tribunal de Miami para responder ao caso.

Na terça-feira (21), a equipe de reportagem do BV entrevistou, via telefone, Mauro Dietrich, irmão de Cassius, no município de Resplendor, interior de Minas Gerais. Ele trabalha há aproximadamente 5 anos na mesma agência de turismo, a Ramitur, que o irmão.

Mauro considerou “um absurdo” a prisão de Cassius, pois seu irmão já acompanhou, não somente crianças, mas idosos em viagens aos Estados Unidos. Ele alegou que Cassius já acompanhou senhoras de idade residentes na região de Resplendor (MG), pois seria difícil para elas transitar por aeroportos grandes, como os de Miami ou Nova York.

“Isso para nós é um total absurdo. Não sabíamos que acompanhar pessoas com vistos legais nos Estados Unidos era burlar a lei”, disse Mauro. “O mais estranho de tudo é que a mãe da menina de 11 anos foi ao aeroporto e pegou a filha e a outra de 18 anos o pai também pegou e ela já está até postando fotos no Facebook”.

Ele detalhou que o advogado Max Whitney não é mais responsável pelo caso, entretanto, não soube dizer o nome da nova advogada. Mauro acrescentou que entrou em contato, via e-mail, com o Consulado Brasileiro em Miami há três dias, mas ainda não recebeu resposta.

Os parentes de Cassius aguardam angustiados a resolução do caso. “Toda a família está triste. O meu pai sofre uma profunda depressão por causa disso. A palavra mais correta é tristeza”, disse Mauro.

Na quarta-feira (22), Cassius Dietrich comparecerá novamente à audiência no tribunal regional de Miami.

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