Dólar mais alto reduz procura por viagens internacionais

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A disparada na cotação do dólar e do euro nas últimas semanas tem freado o ímpeto dos turistas brasileiros. Em meio à flutuação no valor das moedas estrangeiras, a venda de pacotes internacionais apresenta queda. Diante deste cenário, as agências adotam diferentes táticas para manter os negócios aquecidos, que vão desde a flexibilidade nas condições de pagamento até a absorção de parte do prejuízo com a alta do câmbio, segurando a elevação nos preços dos roteiros.

No entanto, o novo cenário, com a moeda norte-americana para turismo beirando os R$ 2,40, deve trazer consequências mais fortes ao setor a partir de agosto. “Nas férias de julho não haverá reflexo, pois as vendas já foram feitas com antecedência. O impacto deve vir ali na frente, nas novas vendas, pois as pessoas estão mais apreensivas com o câmbio e aguardando para fechar pacotes”, salienta a presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Rio Grande do Sul (Abav-RS), Rita Vasconcelos.

O momento de hesitação por parte do consumidor fez com que as vendas internacionais na Unesul Turismo caíssem em torno de 20% no início de junho frente a igual período de 2012. “As pessoas continuam fazendo orçamentos, mas estão esperando o câmbio baixar para decidir se compram”, aponta a supervisora comercial Fátima Tubino. Paralelamente, os preços sobem. Segundo a dirigente, um pacote de oito dias para Nova Iorque, que saía por R$ 6,8 mil algumas semanas atrás, hoje custa R$ 7,6 mil.

Como contrapartida, a operadora tem apostado em mudanças nas condições de pagamento, possibilitando maior parcelamento. Mas, de acordo com Fátima, a curto prazo, a tendência é de modificação nos lugares mais procurados pelos viajantes. Com isso, os destinos dentro do Brasil passam a ganhar força. A oscilação também influi, ainda que em menor proporção, na procura por intercâmbios. “A constante flutuação do câmbio é o que gera uma retração por parte do consumidor e não tanto o nível em que está o dólar”, diz Guilherme Reischl, diretor comercial da Egali. Neste sentido, ele lembra que a queda nos negócios costuma ocorrer conforme a instabilidade cambial.

Em todo o País, a empresa costuma vender, em média, 160 intercâmbios a cada sete dias. Na primeira semana deste mês, quando houve aumento expressivo no dinheiro do Tio Sam, foram fechadas 93 transações. Nos sete dias seguintes, essa quantia aumentou para 104 e, na semana passada, chegou a 147. Para atrair intercambistas, a companhia aumentou o prazo de pagamento e repassou apenas parte da variação cambial aos preços dos pacotes, fazendo um reajuste médio de 4%. “Estamos falando de um aumento de R$ 400,00 em pacotes de R$ 8 mil”, exemplifica Reischl.

O consultor financeiro Marcelo Maron lembra que a desvalorização do real frente ao dólar ultrapassa os 40% em dois anos, encarecendo, nesta proporção, os passeios pelo exterior. Para ele, a situação pode ser amenizada com as promoções das operadoras, pois algumas agências estão praticando um câmbio na faixa dos R$ 2,00. “Mesmo assim, a viagem internacional sairá, pelo menos, 20% mais cara em relação há dois anos atrás”, calcula. Para quem vai viajar, Maron enfatiza que a receita é moderar nos gastos em solo estrangeiro e comprar o dinheiro do local com antecedência. “O ideal é trocar o dinheiro o quanto antes. Se baixar a cotação depois, azar. Mesmo assim, nada indica uma grande queda nos próximos dias. O importante é não ficar preso às oscilações e ir dormir tranquilo à noite”, brinca.

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