A Copa do Mundo vem aí

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O Brasil está sentindo na pele a falta de preparo para receber turistas. Aliás, o Brasil parece não saber o que seja turismo. Nesta época de Copa do Mundo, qual menino dono da bola que cobra dos coleguinhas para poderem se divertir com ele, a parca estrutura turística brasileira avança em cima do turista tentando extorquir o último centavo. O grande evento pode nos permitir passar um legado aos visitantes de primeira vez e este legado pode não ser positivo.

O Brasil costuma receber seis milhões de turistas por ano. A Costa Rica, que cabe quase duzentas vezes no Brasil, recebe mais de dois milhões. Dos seis milhões que nos visitam, 75% são argentinos e paraguaios que chegam às cidades e praias dos estados fronteiriços, notadamente Foz do Iguaçu. Muitos dos que estão no segmento do turismo parecem não saber que o turista na terra dele é um trabalhador que poupa e planeja suas férias. A maioria deles não busca eventos como a Copa do Mundo, que nos Estados Unidos era ignorada pela maioria de seus habitantes quando lá aconteceu.

Uma grande parte do Brasil só tem vocação turística por seus atrativos naturais, no mais tem um longo caminho a percorrer. Os poucos recursos destinados aos órgãos do turismo no Amazonas revelam isso. O município de Manaus transformou a Manaustur num apêndice da Secretaria de Cultura e assim continua até hoje, num claro desprezo à atividade. Os fracos recursos do governo do estado poderiam ser aplicados mais adequadamente para divulgar o turismo, segundo alguns dirigentes do trading. A Copa do Mundo serve como desculpa para o governo federal destinar alguma verba para a formação de pessoas em cursos pontuais, o que deveria ser uma constante. Por outro lado, logo no início do Governo Dilma, foram cortados mais de 60% dos recursos do Ministério do Turismo.

O turismo tradicional no Amazonas estará em recesso durante os jogos da copa. Não somente reservas, como pacotes inteiros programados para junho e julho de 2014 são cancelados. Quem vem para a selva não gosta de futebol e quem vem para a copa não tem tempo nem interesse para passeios na selva. Os preços dos voos e de hospedagem simplesmente se tornaram caros demais para os estrangeiros. Hotéis e voos lotados seriam motivo para comemorações se os cancelamentos não continuarem. Contudo, o fantasma da Copa da África do Sul ainda está rondando.

Ao contrário da propaganda oficial, a Copa do Mundo na África do Sui foi um fracasso. Entradas para os estádios foram distribuídas gratuitamente entre a população para não mostrá-los vazios para a televisão e o mundo. As administradoras de cartões de crédito estimularam as operadoras a oferecer pacotes tentadores para a última semana da copa, numa tentativa de encher os hotéis, cujas vagas estavam todas reservadas um ano antes.

A Fifa deita e rola fazendo o Brasil, ou outro país sede, gastar horrores onde a maior beneficiada pode ser ela mesma. Os alemães aproveitaram a Copa para deixarem um legado de simpáticos – e conseguiram – enterrando de vez a impressão que o nazismo tinha causado ao mundo. Os gastos com a Copa do Mundo jamais serão ressarcidas no curto período dos jogos. Resta saber se o legado que ficar compensará os investimentos. Também resta saber se o povo poderá usufruir da estrutura caríssima montada para este fim, depois que a euforia passar.

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